Canções que nasceram das montanhas de Minas e traduzem o espírito belo-horizontino em forma de melodia
Capa do disco "Clube da Esquina" (1972), que marcou a história da música brasileira ao reunir nomes como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Fernando Brant
A música tem o poder de transformar qualquer passeio em experiência. E, para quem anda pelas ruas arborizadas de Belo Horizonte ou contempla o pôr do sol na Praça do Papa, nada melhor do que uma trilha sonora à altura da capital mineira.
BH foi berço do Clube da Esquina, movimento musical que uniu a inventividade de artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Fernando Brant. A cidade também inspirou outras gerações, como o Skank, que sempre cantou suas raízes mineiras.
Confira cinco músicas que têm tudo a ver com BH, tanto nas entrelinhas quanto na alma.
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Gravada originalmente por Elis Regina, “O Trem Azul” se tornou um hino delicado da geração mineira dos anos 1970. Composta por Lô Borges e Ronaldo Bastos, a música faz parte do icônico disco Clube da Esquina (1972) e carrega a imagem de um trem imaginário, que representa tanto o cotidiano quanto a fuga poética da cidade. É como se cada acorde levasse o ouvinte pelos trilhos da Serra do Curral.
Criada por jovens mineiros que ainda nem tinham saído de BH, essa canção homenageia os Beatles, mas tem alma mineira. Foi escrita numa noite em que os amigos Lô, Márcio e Brant estavam encantados com a possibilidade de sua música alcançar o mundo. A canção marca o começo do sonho do Clube da Esquina, nascido entre as calçadas do bairro Santa Tereza e os muros de casas cheias de violões e poesia.
Outro clássico do Clube da Esquina, essa música é quase uma crônica cantada sobre BH. A “paisagem da janela” pode muito bem ser a vista de qualquer casa da capital, com suas ladeiras, céu largo e sensação de contemplação. A música convida o ouvinte a ver a beleza no cotidiano e na introspecção, um reflexo da mineiridade silenciosa.
Mais do que uma canção, “Maria, Maria” é um manifesto de força e resistência. Inspirada em histórias de mulheres mineiras, a música se tornou símbolo de luta e também de delicadeza. Apesar de seu alcance nacional e internacional, ela nasceu do coração da amizade entre Milton e Brant, forjada nos corredores de BH.
Com mensagem ecológica e espiritual, “O Sal da Terra” ficou marcada na voz de Beto Guedes e se tornou um canto de esperança. A canção reflete o olhar crítico e afetivo de artistas que viam BH como um lugar de reflexão sobre o mundo, onde se discutiam injustiças sociais e o futuro do planeta, tudo isso com os pés fincados no solo mineiro.