Entre carnes preparadas com técnica, brasa bem executada e coquetelaria, o Piratas BBQ apresenta um cardápio que equilibra intensidade, frescor e criatividade
Piratas BBQ combina técnica e brasa em pratos como cupim sous vide e picanha, além de risoto de limão siciliano e coquetelaria autoral com o Jabuticaba Mule
Há bares que vivem do movimento da rua. Outros constroem identidade própria. No Piratas BBQ, na Alberto Cintra, as duas coisas acontecem ao mesmo tempo. A casa ocupa um dos corredores gastronômicos mais movimentados da região Nordeste de Belo Horizonte, mas cria ali dentro um ritmo próprio, feito de fogo baixo, cortes longamente preparados e drinques que equilibram técnica e criatividade.
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Visitar o Piratas é perceber que a proposta vai além da espetaria tradicional. A brasa é protagonista, mas há cuidado nos detalhes: textura, contraste, acidez, montagem e até narrativa.
O cupim braseado sintetiza essa lógica. A carne passa 12 horas no sous vide antes de encontrar a brasa. O resultado é maciez absoluta, fibras que se desfazem sem perder suculência. O picles de cebola entra como contraponto ácido, enquanto a farofa de cebola caramelizada adiciona doçura e crocância, criando um prato que equilibra intensidade e delicadeza.
Já a picanha reforça a vocação da casa para cortes clássicos bem executados. Selada no ponto correto, chega suculenta e direta, sem excessos, deixando que o sabor da carne fale por si.
Para quem gosta de impacto visual, o chamado “capitão picanha”, servido na espada, dialoga com a temática pirata e transforma a mesa em espetáculo, sem perder substância.
A visita mostra que o cardápio não se limita à carne vermelha. O risoto de limão siciliano com tilápia no vapor e ervas oferece frescor e cremosidade na medida certa. A acidez do limão ilumina o prato, enquanto a tilápia, leve e delicada, mantém o equilíbrio.
A coxinha de jaca, acompanhada de molho à base de leite de coco, mostarda e mel, surpreende pelo contraste entre dulçor, leve picância e textura fibrosa do recheio. É uma alternativa que dialoga com públicos diversos, sem parecer concessão.
O pão de alho de alho-poró com queijo suíço, por sua vez, chega cremoso, com leve dulçor do alho-poró e intensidade do queijo derretido na brasa. É o tipo de pedido que naturalmente circula pela mesa.
A carta de drinques é um dos diferenciais do Piratas. O Jabuticaba Mule traduz bem essa identidade: gin zuur, ginger ale, xarope de cereja, limão e uma espuma de jabuticaba que adiciona aroma, textura e impacto visual. O resultado é fresco, levemente adocicado e equilibrado, com camadas que se revelam aos poucos.
Clássicos e releituras convivem na carta, mostrando que a casa entende a bebida como parte essencial da experiência, e não apenas acompanhamento.
Aberto todos os dias, o Piratas BBQ ocupa um espaço raro na cidade: funciona tanto para a segunda-feira despretensiosa quanto para o sábado mais prolongado. A Alberto Cintra dita o fluxo, mas o bar constrói o próprio clima, informal, acolhedor e atento ao detalhe.
Entre cortes preparados com tempo, petiscos que convidam à partilha e coquetéis autorais, o Piratas se afirma como mais do que uma espetaria: é um endereço onde técnica e descontração convivem na mesma mesa.