Gastronomia

O que faz um restaurante ganhar uma estrela do Guia Michelin? Entenda

Não é apenas sobre sabor: descubra os critérios secretos e rigorosos que os avaliadores do Guia Michelin usam para conceder as cobiçadas estrelas


Créditos da imagem: Freepik
Dois medalhões de carne com molho, batata palha e cebolinha em prato branco digno de estrela Michelin Pratos como este exemplificam a excelência e o domínio culinário avaliados pelo Guia Michelin na concessão de suas estrelas

Júlia Rhaine Diniz Silva

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17/04/26 às 15:14 - Atualizado em 17/04/26 às 15:22
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Com a recente atualização do Guia Michelin no Brasil, que atualmente avalia restaurantes do Rio de Janeiro e São Paulo, muitos se perguntam o que é preciso para ganhar uma cobiçada estrela. A resposta vai muito além de um prato saboroso e envolve um processo de avaliação rigoroso e anônimo, baseado em critérios universais aplicados por inspetores em todo o mundo.

O guia foi criado em 1900, mas o sistema de estrelas para restaurantes foi implementado apenas em 1926. É importante notar que a avaliação para as estrelas não considera a decoração, o ambiente ou a qualidade do serviço. Esses elementos são analisados separadamente e indicados por outros símbolos, como talheres. A estrela é um reconhecimento exclusivo do que está no prato, refletindo a excelência da cozinha de um estabelecimento.

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Os pilares da avaliação Michelin

A decisão de conceder uma, duas ou três estrelas é sempre coletiva e se baseia em cinco pilares fundamentais. Os inspetores, que visitam os restaurantes de forma anônima e pagam por suas refeições, devem chegar a um consenso sobre cada ponto.

Os critérios são:

  • Qualidade dos ingredientes: a excelência e a procedência dos produtos utilizados são o ponto de partida para qualquer grande prato.
  • Domínio do sabor e das técnicas culinárias: não basta ter bons ingredientes, é preciso saber como extrair o melhor deles, com equilíbrio e precisão técnica.
  • Personalidade do chef na cozinha: o guia busca pratos que reflitam a visão, a criatividade e a identidade do chef, tornando a experiência única.
  • Relação qualidade-preço: a avaliação considera se o que é entregue no prato justifica o valor cobrado, oferecendo uma experiência justa ao cliente.
  • Consistência ao longo do tempo: uma única visita excepcional não é suficiente. A qualidade precisa ser mantida em diferentes dias e ao longo de todo o cardápio.

O que cada estrela significa?

As estrelas funcionam como um mapa para gourmands, indicando o nível da experiência culinária que o viajante pode esperar. Cada uma possui um significado específico, pensado originalmente para guiar motoristas em suas viagens:

  • Uma estrela: Concedida para uma “cozinha de grande fineza”.
  • Duas estrelas: Sinaliza uma “cozinha excelente que vale o desvio”.
  • Três estrelas: A distinção máxima, para uma “cozinha excepcional que vale a viagem”.

Cenário brasileiro: as primeiras três estrelas Michelin

A edição de 2024 do Guia Michelin trouxe um marco para a gastronomia brasileira, com a concessão das primeiras três estrelas para restaurantes no país. Os paulistanos Tuju, do chef Ivan Ralston, e Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, alcançaram a honraria máxima, entrando para o seleto grupo mundial.