Turismo

Mineiros gostam de viajar em casal e para o litoral; veja pesquisa

Pesquisa revela para onde o belo-horizontino viaja, os destinos preferidos, hábitos de consumo, planejamento e intenções de viagem


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Belo-horizontinos seguem com o desejo de viajar vivo: pesquisa da Fecomércio MG aponta preferência por destinos de sol e praia, viagens em família e planejamento antecipado Belo-horizontinos seguem com o desejo de viajar vivo: pesquisa da Fecomércio MG aponta preferência por destinos de sol e praia, viagens em família e planejamento antecipado

Maria Clara Landim

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14/01/26 às 12:59
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Viajar segue sendo um desejo vivo entre os belo-horizontinos. Mesmo diante de desafios econômicos, o morador da capital mineira continua planejando, sonhando e buscando experiências fora da rotina. Esse comportamento foi detalhado na pesquisa “Turismo: Comportamento e intenções de viagens dos belo-horizontinos”, realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, com foco estratégico no fortalecimento do setor de turismo e serviços.

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O levantamento ouviu moradores das nove regionais de Belo Horizonte entre 17 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026 e traça um panorama preciso sobre como, quando e para onde o belo-horizontino viaja, informações fundamentais para orientar decisões empresariais e políticas voltadas ao turismo.

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Desejo de viajar permanece forte

Os dados mostram que o hábito de viajar segue consistente. Nos últimos 12 meses, 33,3% dos entrevistados viajaram para outros estados, enquanto 24,1% escolheram destinos dentro de Minas Gerais. Além disso, cerca de um terço não conseguiu viajar no período, o que revela um desejo reprimido, mas ainda presente.

Para o próximo semestre, a intenção de viagens interestaduais se mantém relevante: 42,2% afirmam que pretendem viajar para fora de Minas, principalmente em busca de destinos de sol e praia, segmento preferido por 52,2% dos entrevistados. Ainda assim, Minas Gerais segue no radar: 52,4% dos belo-horizontinos afirmam que viajariam mais pelo estado caso houvesse preços mais competitivos, maior divulgação dos destinos e redução nos custos de hospedagem.

Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, compreender esse comportamento é decisivo para transformar intenção em consumo real.

“O estudo mostra que existe demanda disponível. O desafio do empresário é alinhar preço, comunicação e experiência para que Minas Gerais seja percebida como uma escolha tão atrativa quanto outros estados”, afirma.

Quanto o belo-horizontino pretende gastar

A pesquisa também detalha o orçamento médio das viagens. A maioria dos entrevistados (33,1%) planeja gastar entre R$ 3.037 e R$ 6.072 por viagem. Outros 25,5% estimam despesas entre R$ 1.518 e R$ 3.036, enquanto 26,3% possuem orçamento mais enxuto, entre R$ 760 e R$ 1.518.

Esse perfil de consumo aponta para a busca por produtos turísticos bem estruturados, que combinem lazer, conforto e identidade local. Entre os principais interesses estão sol e praia, gastronomia, encontros familiares, atrativos culturais e ecoturismo.

Turismo em família lidera

O perfil de quem viaja revela a força do turismo familiar. O cônjuge é o principal companheiro de viagem para 30,8% dos entrevistados, seguido pelos filhos (22,9%). Viagens em casal priorizam conforto e destinos litorâneos (59,9%), além de visitas a familiares (33,7%) e experiências culturais (19,8%).

Já as famílias com filhos buscam principalmente litoral (63,6%) e visitas a familiares (35,2%), valorizando segurança, estrutura e opções de lazer diversificado. Há ainda quem viaje sozinho: esse público costuma ser mais flexível, com destaque para visitas à família (31,3%), viagens a trabalho (28,1%) e deslocamentos ao litoral (28,1%).

As excursões organizadas aparecem em menor escala, mas concentram viajantes que priorizam praticidade, preços fechados e logística simplificada.

Para a turismóloga da Fecomércio MG, Milena Soares, esse recorte é essencial para o setor.

“Quando o empresário entende o perfil de quem está viajando, suas preferências e hábitos de planejamento, ele consegue desenvolver produtos e serviços mais eficientes, desde a hospedagem até os passeios”, explica.

Internet é principal aliada no planejamento

O comportamento digital do belo-horizontino também chama atenção. 66,3% buscam informações turísticas na internet, enquanto 30,8% recorrem às redes sociais. Além disso, 30% ainda valorizam a indicação de amigos e familiares.

Apesar da pesquisa on-line ser predominante, 44,5% dos entrevistados não realizam compras pela internet, o que aponta uma oportunidade clara para o setor: melhorar a experiência digital e fortalecer a confiança do consumidor. Entre quem compra on-line, hospedagem (38%) e transporte rodoviário (19%) lideram, à frente do transporte aéreo (16,3%).

Ônibus lidera e hotel é preferência

O meio de transporte mais utilizado nas viagens é o ônibus ou van (52,7%), seguido pelo carro particular (35,1%) e pelo avião (11,4%). Já na hospedagem, os hotéis aparecem como principal escolha (37,3%), seguidos pela casa de amigos e familiares (29,9%) e pelas pousadas (16,2%).

Esse comportamento reflete traços culturais marcantes do mineiro. A hospitalidade e o acolhimento fazem parte da identidade local. O tradicional “passa lá em casa” ultrapassa as relações pessoais e se manifesta também na forma como o turismo é vivenciado.

Minas sem mar, mas cheia de atrativos

Mesmo sem litoral, Minas Gerais segue competitiva. A gastronomia mineira, reconhecida nacionalmente, é um dos principais ativos turísticos do estado. Pratos tradicionais, o pão de queijo, o café passado na hora e a culinária afetiva funcionam como verdadeiros motivadores de viagem.

Além disso, o estado oferece turismo de negócios, cidades históricas, experiências religiosas e culturais, ecoturismo, turismo rural e lazer em meio à natureza, ampliando as possibilidades ao longo de todo o ano.

Planejamento antecipado e viagens curtas

As viagens costumam ser planejadas com antecedência: 28,1% organizam até três meses antes, enquanto 27,1% planejam entre três e seis meses, geralmente alinhando férias e feriados. A duração média é curta: 64,9% permanecem até uma semana nos destinos.

Mesmo assim, o desejo de viajar mais é evidente. 76,4% afirmam que viajam menos do que gostariam. Para Fernanda Gonçalves, esse dado representa um alerta e uma oportunidade.

“Políticas de preços, promoções fora da alta temporada e maior divulgação podem estimular esse consumo e movimentar a economia local”, avalia.

Identidade, tradição e oportunidade

A pesquisa reforça que o comportamento do belo-horizontino é marcado pelo apego às tradições, pela religiosidade e pela valorização da cultura. Festas religiosas, patrimônio histórico e manifestações culturais seguem como atrativos relevantes.

“Minas tem identidade forte. Quando o empresário valoriza essa essência, ele não vende só um destino, vende uma experiência completa”, resume Milena Soares.

Mais do que números, o estudo oferece pistas claras para ajustar produtos, serviços e comunicação. O potencial existe. Transformá-lo em resultado depende de estratégia, sensibilidade e conexão com aquilo que o mineiro valoriza.