Antes de se tornar um dos principais cartões-postais da capital mineira, terreno na Avenida Augusto de Lima recebeu partidas históricas do futebol mineiro e marcou os primeiros anos do esporte na cidade
O Mercado Central de Belo Horizonte, um dos polos gastronômicos e culturais da capital, com tradição desde 1929.
Muito antes de se tornar um dos principais pontos turísticos e gastronômicos de Belo Horizonte, a área onde hoje funciona o Mercado Central foi palco de momentos decisivos da história do futebol mineiro. Entre 1923 e 1927, o local abrigou o primeiro estádio do América MG Futebol Clube, considerado o mais moderno de Minas Gerais na época e responsável por sediar partidas históricas do Campeonato Mineiro.
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A relação entre o terreno e o futebol, no entanto, começou ainda antes da inauguração oficial do estádio. Nos primeiros anos da capital, os jogos eram disputados em campos improvisados, principalmente no Parque Municipal, onde a bola rolou pela primeira vez em Belo Horizonte, em 1904.
Com a popularização do esporte, o América decidiu investir em uma estrutura permanente. Em 1921, o clube conseguiu junto à prefeitura a concessão de um terreno na então Avenida Paraopeba — atual Avenida Augusto de Lima — e iniciou a construção de uma moderna praça esportiva, financiada com recursos do próprio clube, doações de associados e apoio do poder público.
As obras duraram pouco mais de dois anos e resultaram em um complexo esportivo inovador para a época. Além do campo gramado — o primeiro de Minas Gerais —, o espaço contava com arquibancadas, parte delas coberta, vestiários, banheiros, quadras esportivas, pista de patinação, estande de tiro e áreas destinadas a outras modalidades.
A primeira partida no gramado ocorreu em 7 de setembro de 1922, em um empate por 3 a 3 entre América e Palestra Itália. A inauguração oficial veio meses depois, em 6 de maio de 1923, diante do América-RJ, em uma cerimônia que reuniu autoridades e moradores da capital. O então presidente de Minas Gerais, Raul Soares, foi responsável pelo chute inicial da partida.
O estádio rapidamente se tornou referência no estado e passou a receber praticamente todos os jogos do Campeonato Mineiro.
Foi nesse campo que o América viveu uma das fases mais vitoriosas de sua história, conquistando títulos estaduais consecutivos e consolidando o famoso decacampeonato mineiro.
O estádio também recebeu confrontos marcantes entre os rivais da capital. Em 27 de novembro de 1927, Athletico Mineiro — atual Atlético Mineiro — e Palestra Itália — hoje Cruzeiro — disputaram no local o clássico que terminou com a histórica goleada atleticana por 9 a 2, resultado que permanece como a maior vitória de um dos clubes sobre o outro em partidas oficiais.
Naquele período, porém, a principal rivalidade do futebol belo-horizontino ainda era entre América e Athletico.
Pouco tempo depois da histórica goleada, o destino do estádio mudou completamente. Em razão do crescimento urbano da capital, a prefeitura decidiu utilizar o terreno para transferir e ampliar o Mercado Municipal, que já não comportava a demanda de uma cidade em expansão.
O último jogo no estádio aconteceu em dezembro de 1927. Dois anos depois, em 7 de setembro de 1929, foi inaugurado o Mercado Central de Belo Horizonte, encerrando definitivamente a história do campo do América naquele endereço.
Como compensação, o clube recebeu outro terreno na Avenida Francisco Sales, onde construiu o Estádio da Alameda, sua nova casa nas décadas seguintes.
Hoje, quase um século depois, poucos visitantes imaginam que entre os corredores, lojas e restaurantes do Mercado Central existiu um dos mais importantes palcos do futebol mineiro. A principal lembrança do antigo estádio é uma placa instalada na entrada da Avenida Augusto de Lima, que recorda a importância histórica do local para o esporte em Belo Horizonte.