Passeie pela história de Beagá e descubra narrativas fascinantes como o Capeta da Vilarinho e a Loira do Bonfim que ainda assombram as ruas
Personagens de lendas urbanas, como a Loira do Banheiro, que compõem o imaginário popular e o folclore contemporâneo de regiões como BH
Belo Horizonte reúne lendas urbanas transmitidas por conversas de corredor, relatos na internet, podcasts e memes. Essas histórias populares fazem parte da memória da capital mineira e atravessam gerações, com personagens misteriosos e acontecimentos sobrenaturais associados a diferentes regiões da cidade.
A Avenida Vilarinho, via com 6,5 quilômetros de extensão na região de Venda Nova, é conhecida pelos tradicionais bailes, forrós e festas. A fama da avenida inspirou até um funk: “só quero dançar… só mais um pouquinho, só quero dançar… só quero dançar… lá no Vilarinho!”.
Uma das versões da lenda do Capeta da Vilarinho remonta a outubro de 1982, durante a inauguração de quadras no bairro. Em um concurso de dança, o dançarino Ricardo Malta disputou a etapa final contra um forasteiro de chapéu. O desconhecido venceu a disputa, mas, ao comemorar, retirou o acessório e revelou dois chifres na cabeça antes de desaparecer no tumulto.
Em outra versão da história, um jovem chamado Alex dançou com uma mulher até que o chapéu dela caiu, expondo os chifres. Os relatos ajudaram a consolidar uma das lendas urbanas mais conhecidas de Belo Horizonte.
Na região Nordeste de Belo Horizonte, a lenda da Avantesma assombra a Lagoinha desde a década de 1940. A criatura aparece na forma de um homem vestido de preto, sem feições no rosto e com um forte odor de enxofre.
Segundo os relatos, o ser descarrilava bondes enquanto soltava risadas aterrorizantes. Mesmo após o fim do transporte sobre trilhos, motoristas de táxi e ônibus passaram a relatar aparições da figura pelas ruas da região.
Na região Noroeste, a Loira do Bonfim é uma das lendas urbanas associadas às madrugadas de Belo Horizonte. Por volta das 2h, a mulher de cabelos loiros e roupas brancas abordaria boêmios e passageiros, convidando-os a acompanhá-la de carro, bonde ou táxi até sua residência.
O destino indicado pela personagem seria o Cemitério do Bonfim, onde ela desapareceria entre os túmulos. A história também ficou conhecida entre motoristas, que, segundo a tradição oral, evitariam trabalhar à noite na região.
Também conhecida como Fantasma do Palácio, Maria Papuda teria vivido em um casebre construído no terreno onde hoje fica o Palácio da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. A mulher tinha bócio, condição caracterizada pelo aumento da glândula tireoide, que pode provocar inchaço no pescoço.
Segundo a lenda, ao deixar a moradia, Maria amaldiçoou os governantes de Minas Gerais: quem assumisse o governo em ano par sofreria um grave acidente ou morreria. A narrativa costuma ser associada às mortes de políticos como Silviano Brandão, em 1902; João Pinheiro, em 1908; Raul Soares, em 1924; e Olegário Maciel, em 1933.
A história também envolve os ex-governadores Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro, Tancredo Neves e Itamar Franco, que, segundo relatos, evitariam permanecer no palácio depois do anoitecer. Em 2002, Itamar Franco teria declarado, em entrevista, que o imóvel era assombrado e que portas e janelas abriam e fechavam sozinhas.