Especialista alerta: ‘Flertamos com a insegurança hídrica em BH’
Rio das Velhas, na altura do município de Honório Bicalho, na grande BH, próximo da estação de captação de água da Copasa
Belo Horizonte completou na última semana 140 dias sem chuva – maior período de estiagem na capital em 60 anos. E, pelo menos para os próximos 15 dias, a previsão é de mais calor e tempo seco. Além dos problemas respiratórios, maior incidência de queimadas e impactos na lavoura, o longo período de estiagem traz consequências importantes também no abastecimento de água.
Segundo a Copasa, não há risco iminente de racionamento de água ou de desabastecimento na capital, mas a baixa vazão do Rio das Velhas e a falta de perspectiva de chuva para as próximas semanas acendem o sinal de alerta.
O Rio das Velhas é responsável, sozinho, pelo abastecimento de água de 60% de Belo Horizonte e de metade da região metropolitana. Sua captação é à fio d`água, ou seja, sem uma barragem ou reservatório. Isso significa que quanto menos chuva e mais baixa é a vazão do Rio, menos água fica disponível para ser captada. Some-se a isso décadas de utilização predatória do Rio, ampliação da atividade minerária e adensamento populacional, com impactos na recarga do rio.
“Fomos produzindo um sistema de abastecimento que não armazena água, e o desmatamento e as atividades minerárias fragilizam muito a recarga do rio”, explica Marcus Vinícius Polignono, coordenador do projeto Manuelzão. “O rio precisa ser alimentado, nutrido. Se isso não acontece, o rio vai enfraquecendo. O Rio das Velhas precisa de uma política forte de revitalização. Estamos numa perspectiva de insegurança hídrica e isso só se agrava na medida em que as mudanças climáticas, com chuvas concentradas e longas estiagens vão se acentuando”, completa.
De acordo com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio dsa Velhas), a outorga da Copasa permite a captação de aproximadamente 8,5m³ de água por segundo e o Rio das Velhas está com uma vazão aproximada de 12 m³ por segundo. O que significa dizer que a Copasa precisa captar abaixo da sua capacidade para não comprometer a sobrevivência do rio, que está sendo explorado no limite.
A Copasa disponibiliza em seu site o volume de água captado diariamente e o nível dos reservatórios, mas as informações não têm sido atualizada nos últimos dias. Procurada pela reportagem, a Copasa respondeu em nota que “os reservatórios de água estão com níveis suficientes para abastecer a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) neste período de estiagem. A Copasa está monitorando o nível do Sistema Rio das Velhas e do Sistema Paraopeba e, até o momento, não houve impactos na captação de água para a Grande BH”.
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