Viva Bem

Música e moda desfilam juntas

Responsável por dar o ritmo e o ambiente ao desfile, a variedade das músicas vem ocupando as passarelas


Créditos da imagem: Agência Fotosite
Modelos desfilam ao som de rabeca

Redação - SouBH

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22/01/15 às 20:06 - Atualizado em 06/02/26 às 16:51
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Por Camila de Ávila, jornalista Sou BH

Na
última noite de desfiles do Minas Trend, ocorrida ontem (8), os acordes da
rabeca foram ouvidos densamente durante a apresentação da coleção de Lucas
Magalhães. Antes das modelos entrarem na passarela já se sabia que o que viria
era algo regional e bem brasileiro. Mas e aí? Qual a importância e força da
música na apresentação de moda?

Para
a cantora de samba carioca radicada em Minas Gerais, Aline Calixto, que estava
na primeira fila, a música é fundamental nestes eventos. “Acho que música e
moda andam juntas. Ela leva o universo e o conceito do desfile para as pessoas.
A música ambienta o espectador do desfile que no primeiro acorde já sente o que
vem por aí”, explica. Aline que ressaltou a trilha do desfile de Lucas
Magalhães. “A música do desfile do Lucas é belíssima”.

Aline
Calixto já cantou num desfile em 2013 para a coleção do estilista Victor Dzenk inspirada
em Clara Nunes. O desfile aconteceu no Parque das Mangabeiras e apresentava uma
moda praia cheia de saias de renda branca bem à moda da cantora mineira guerreira.

Segundo
Paulinho DJ, de São Paulo, que estava fazendo o som dos desfiles do Minas Trend
e trabalha há 21 anos com moda, a trilha sonora dos desfiles evoluiu. “Quanto
mais variedade melhor. Fiz um desfile na última temporada que a trilha foi
cantada pelo Filipe Catto (cantor e compositor gaúcho)”, explica.

A
trilha de um desfile, de acordo com Paulinho, sempre tem a ver com a coleção.
“Às vezes é a música que inspira o estilista a criar a coleção”, conta o DJ. “A
música é imprescindível num desfile, pois ela dá o tom e o ritmo da
apresentação das modelos e até dos looks”.  Outra fator ressaltado por Paulinho é o tempo
da música. “Acho que não pode passar de sete minutos porque senão fica boring. Este é o tempo ideal. Muitas
vezes o estilista chega com uma música de dois minutos aí temos que aumentar”,
conta. No caso da música do desfile do estilista Lucas Magalhães a música teve
que ser cortada.

Há
casos em que a trilha é composta especialmente para o desfile com base em um
instrumento ou em um tema. Quando a música é executada ao vivo com o desfile,
Paulinho diz que é um risco que o estilista corre. “Se a trilha executada com o
desfile, com a presença de um cantor não condiz com os looks, a música pode
chamar mais atenção que o desfile e quando isso acontece a crítica vem em
cima”, afirma. Paulinho DJ afirma
que tem que haver uma simbiose entre música e look. “Por exemplo, no desfile do
Alexandre Herchcovitch agora, a música estava em consonância com os óculos dos
modelos”, constata.

A
moda tem a fama de usar a música eletrônica e Paulinho afirma que isso está
mudando. “Principalmente em desfiles de moda praia, há a presença intensa da
bossa nova e da música brasileira. Atualmente tem muito estilista usando a
música nacional, a mpb, em seus desfiles”, conta.

O
stylist Paulo Martinez diz que a música tem que mexer com o espectador.
“Escolho as músicas dos desfiles que trabalho com o coração. Acredito que tem
que emocionar, tem que passar uma mensagem naquela hora e marcar a pessoa que
está assistindo”, explica. Ele diz que sempre procura trabalhar em conjunto.
“Normalmente estudo as músicas dos desfiles com o DJ Zé Pedro, com quem
trabalho há algum tempo”, diz.

Martinez
foi o responsável pelo desfile da grife Mabel Magalhães no Minas Trend que se apresentou
com música de Astor Piazzola chamada “Libertando”. Segundo o stylist essa
música “remete a coisa do poder, do feminino, que foi o que a marca me
apresentou”, conta.