Cultura

Quais critérios tornaram a Pampulha Patrimônio Mundial da Humanidade?

Pampulha, em Belo Horizonte, é Patrimônio Mundial da Unesco por unir arquitetura moderna, arte, paisagismo e valor histórico-cultural único


Créditos da imagem:

O conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, não é apenas um cartão-postal. Em 2016, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu o Pampulha Modern Ensemble como Patrimônio Mundial da Humanidade, destacando seu valor universal excepcional.

Leia também:

Cinema de rua em BH: o que assistir no Cine Santa Tereza nesta semana

Carnaval das Flores: BH recebe festival que celebra a vida por meio da arte

Confira trilha guiada em parque de BH neste sábado (1º)

Saiba quais são os critérios que levaram a essa distinção!

O conjunto foi idealizado em 1940 ao redor de um lago artificial e reúne quatro edifícios icônicos: o antigo Casino (hoje Museu de Arte da Pampulha), o Salão de Festas (Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design), o Golf Yacht Club (Iate Tênis Clube) e a igreja de São Francisco de Assis. Projetados por Oscar Niemeyer, em colaboração com artistas como Cândido Portinari e o paisagista Roberto Burle Marx, os edifícios exploram o potencial plástico do concreto e integram arquitetura, escultura, pintura e paisagismo em uma harmonia inédita, refletindo o clima, a tradição e a paisagem local.

Segundo a Unesco, a Pampulha cumpre três critérios principais para Patrimônio Mundial:

  • Inovação artística e arquitetônica: O conjunto revelou um novo caminho para a arquitetura moderna, fugindo do construtivismo rígido europeu e criando uma linguagem fluida, contextualizada e integrada às artes plásticas e ao paisagismo.
  • Influência internacional: A Pampulha refletiu trocas culturais entre América Latina, Europa e Estados Unidos, reinterpretando a austeridade da arquitetura europeia moderna de maneira poética e adaptada ao Brasil.
  • Valor histórico e social: O projeto marcou uma fase decisiva na história da arquitetura sul-americana e representou mudanças socioeconômicas da época. O conjunto foi pensado para uso público, oferecendo lazer, cultura e espaços que fortaleciam a identidade da cidade.

Além dos critérios da Unesco, a Pampulha se destaca por sua integridade e autenticidade. Os prédios mantêm a relação original entre si, com o lago e os jardins projetados, embora alguns componentes precisem de restauração, como o Yacht Club e parte da paisagem da igreja. A preservação do conjunto depende da manutenção das áreas verdes, da baixa densidade habitacional ao redor e do controle de interferências urbanas.

A proteção é feita em múltiplos níveis: nacional, pelo IPHAN; estadual, pelo IEPHA-MG; e municipal, com leis específicas para os prédios e o entorno. Um plano de gestão estratégico envolve órgãos de diferentes níveis de governo e define responsabilidades claras para a manutenção do patrimônio e de seu contexto urbano e ambiental.

O reconhecimento da Unesco celebra não apenas a genialidade de Niemeyer e seus colaboradores, mas também o modelo pioneiro de integração entre arquitetura, arte e natureza, que transformou a Pampulha em um símbolo mundial da arquitetura moderna e da identidade brasileira.

Pampulha, em Belo Horizonte, é Patrimônio Mundial da Unesco por unir arquitetura moderna, arte, paisagismo e valor histórico-cultural único

Maria Clara Landim

|
29/10/25 às 10:10
compartilhe

O conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, não é apenas um cartão-postal. Em 2016, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconheceu o Pampulha Modern Ensemble como Patrimônio Mundial da Humanidade, destacando seu valor universal excepcional.

Leia também:

Cinema de rua em BH: o que assistir no Cine Santa Tereza nesta semana

Carnaval das Flores: BH recebe festival que celebra a vida por meio da arte

Confira trilha guiada em parque de BH neste sábado (1º)

Saiba quais são os critérios que levaram a essa distinção!

O conjunto foi idealizado em 1940 ao redor de um lago artificial e reúne quatro edifícios icônicos: o antigo Casino (hoje Museu de Arte da Pampulha), o Salão de Festas (Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design), o Golf Yacht Club (Iate Tênis Clube) e a igreja de São Francisco de Assis. Projetados por Oscar Niemeyer, em colaboração com artistas como Cândido Portinari e o paisagista Roberto Burle Marx, os edifícios exploram o potencial plástico do concreto e integram arquitetura, escultura, pintura e paisagismo em uma harmonia inédita, refletindo o clima, a tradição e a paisagem local.

Segundo a Unesco, a Pampulha cumpre três critérios principais para Patrimônio Mundial:

  • Inovação artística e arquitetônica: O conjunto revelou um novo caminho para a arquitetura moderna, fugindo do construtivismo rígido europeu e criando uma linguagem fluida, contextualizada e integrada às artes plásticas e ao paisagismo.
  • Influência internacional: A Pampulha refletiu trocas culturais entre América Latina, Europa e Estados Unidos, reinterpretando a austeridade da arquitetura europeia moderna de maneira poética e adaptada ao Brasil.
  • Valor histórico e social: O projeto marcou uma fase decisiva na história da arquitetura sul-americana e representou mudanças socioeconômicas da época. O conjunto foi pensado para uso público, oferecendo lazer, cultura e espaços que fortaleciam a identidade da cidade.

Além dos critérios da Unesco, a Pampulha se destaca por sua integridade e autenticidade. Os prédios mantêm a relação original entre si, com o lago e os jardins projetados, embora alguns componentes precisem de restauração, como o Yacht Club e parte da paisagem da igreja. A preservação do conjunto depende da manutenção das áreas verdes, da baixa densidade habitacional ao redor e do controle de interferências urbanas.

A proteção é feita em múltiplos níveis: nacional, pelo IPHAN; estadual, pelo IEPHA-MG; e municipal, com leis específicas para os prédios e o entorno. Um plano de gestão estratégico envolve órgãos de diferentes níveis de governo e define responsabilidades claras para a manutenção do patrimônio e de seu contexto urbano e ambiental.

O reconhecimento da Unesco celebra não apenas a genialidade de Niemeyer e seus colaboradores, mas também o modelo pioneiro de integração entre arquitetura, arte e natureza, que transformou a Pampulha em um símbolo mundial da arquitetura moderna e da identidade brasileira.