Turismo

A história da Estrada de Ferro Vitória a Minas que moldou o estado

Entenda como a construção da ferrovia foi crucial para o desenvolvimento de cidades mineiras e se tornou um patrimônio cultural sobre trilhos


Créditos da imagem: HVL
Trem de carga verde e amarelo em trilhos, paralelo a uma rodovia com dois caminhões. Congestionamento em rodovia movimentada ilustra o cenário esperado para as saídas de Belo Horizonte nos feriados de abril.

Júlia Rhaine Diniz Silva

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01/04/26 às 13:39 - Atualizado em 01/04/26 às 13:42
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Mais do que um simples trajeto de trem, a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), que completou 120 anos em maio de 2024, é uma jornada pela história do Brasil. Com 905 quilômetros de extensão total, a ferrovia tem um trecho de 664 quilômetros dedicado ao transporte de passageiros entre Belo Horizonte e Vitória, que em 2023 transportou cerca de 740 mil pessoas. Contrariando a crença popular, seu propósito inicial no começo do século XX não era o minério, mas sim escoar a produção de café e outras mercadorias do Vale do Rio Doce até o porto no Espírito Santo.

O primeiro trecho da ferrovia foi inaugurado em 13 de maio de 1904, conectando Vitória a municípios capixabas próximos. A construção foi um marco de engenharia para a época, desbravando vales e montanhas para conectar regiões antes isoladas. O transporte de minério de ferro só se tornaria sua principal vocação econômica décadas depois, em 1943, quando os trilhos finalmente chegaram a Itabira. O avanço da linha férrea impulsionou o surgimento e o crescimento de cidades como Governador Valadares, Coronel Fabriciano e Ipatinga, que floresceram às margens dos trilhos.

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A ferrovia não apenas facilitou a exploração mineral, que viria a moldar a economia mineira, mas também se tornou um pilar social. Para muitas comunidades do Vale do Rio Doce, o trem era a única ligação com o resto do país, trazendo suprimentos, notícias e oportunidades. Essa dependência transformou a EFVM em parte da identidade cultural da região.

De artéria econômica a patrimônio cultural

Com o passar das décadas, a função da EFVM se diversificou. Embora seja uma das mais importantes rotas de escoamento de minério do mundo, operada pela Vale, sua vertente turística ganhou destaque. Atualmente, é uma das duas únicas ferrovias no Brasil, ao lado da Estrada de Ferro Carajás, que mantém transporte contínuo de passageiros. No entanto, sua principal função continua sendo a logística: em 2023, a EFVM foi responsável por cerca de 30% de toda a carga transportada por ferrovias no país, movimentando 105,3 milhões de toneladas.

A viagem de passageiros, que dura aproximadamente 13,5 horas, é um convite à contemplação. Pelas janelas do trem, desfilam paisagens da Mata Atlântica, o contorno do Rio Doce e cenários que revelam a diversidade geográfica de Minas Gerais e do Espírito Santo. O trajeto se consolidou como um roteiro de afeto e memória, procurado por turistas que buscam uma imersão na história e por moradores que mantêm o hábito de viajar sobre os trilhos que ajudaram a construir seus estados.


Tags:

história, trem