Gastronomia

Bar em BH faz ‘Inconfidência do Chope’ e vende bebida sem imposto

Inspirado na luta de Tiradentes, estabelecimento oferece chope a R$ 3,99 para protestar contra a alta carga tributária na véspera do feriado


Créditos da imagem: Edy Fernandes
Estátua de pedra de homem barbudo segurando copo de chope Brahma sob céu azul O brinde à liberdade fiscal remete à luta de Tiradentes contra a opressão tributária no bar em BH

Vanessa Alves

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16/04/26 às 13:55 - Atualizado em 16/04/26 às 17:55
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Um bar localizado na Praça Tiradentes, em Belo Horizonte, vai cortar os impostos do chope em homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira. A ação do Porks acontece nos dias 19 e 20 de abril, domingo e segunda-feira, na véspera do feriado.

Entre 17h e 19h, o estabelecimento venderá o chope pilsen de 330 ml por R$ 3,99. A iniciativa é um protesto contra a alta carga tributária no Brasil e celebra a luta de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que dá nome à praça onde o bar está situado.



A luta de Tiradentes contra a opressão fiscal

Tiradentes se tornou o maior símbolo da resistência brasileira contra a opressão fiscal da Coroa Portuguesa no final do século XVIII. Como alferes, ele circulava por diversas camadas sociais e testemunhou o sufocamento econômico da Capitania de Minas Gerais provocado pelo sistema de tributação imposto pela Metrópole.

O principal foco de tensão era o Quinto, um imposto de 20% sobre todo o ouro extraído. O estopim da revolta, no entanto, foi a ameaça da Derrama. Esse mecanismo autorizava a cobrança forçada de dívidas fiscais acumuladas, permitindo o confisco de bens da população para garantir que Portugal recebesse sua cota mínima anual de cem arrobas de ouro.

Diante dos abusos financeiros, Tiradentes se uniu a uma elite de intelectuais, militares e clérigos na Inconfidência Mineira. Inspirado por ideais iluministas e pela independência dos Estados Unidos, o grupo planejava romper com o domínio português e fundar uma república.

O movimento, porém, foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, que denunciou os companheiros em troca do perdão de suas próprias dívidas tributárias. Tiradentes foi o único a assumir total responsabilidade pelo levante, poupando outros envolvidos.

Sua execução em 21 de abril de 1792 foi uma tentativa da Coroa de desencorajar futuras revoltas. O efeito foi o oposto: seu sacrifício transformou a luta contra os impostos abusivos em um marco da busca pela soberania nacional, consolidando-o como o primeiro grande mártir da liberdade brasileira.


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