Levantamento de Stanford destaca avanço da ciência nacional; USP lidera ranking de instituições com maior número de pesquisadores renomados
A pesquisa científica brasileira ganha reconhecimento internacional, com cientistas do país figurando entre os mais influentes do mundo
O Brasil tem 1.510 cientistas entre os pesquisadores mais influentes do mundo, segundo levantamento divulgado no dia 7. Em Minas Gerais, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está entre as instituições brasileiras que aparecem no ranking internacional, que reúne pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.
O estudo foi desenvolvido por John Ioannidis, da Universidade Stanford, em parceria com a editora Elsevier, responsável pela publicação de revistas científicas como Lancet e Cell.
O número de cientistas brasileiros na lista cresceu 3,4% em relação a 2025, quando 1.461 pesquisadores que atuam no país integravam o levantamento. Apesar do avanço, o Brasil manteve a 24ª posição no ranking mundial.
Ao todo, 259 instituições brasileiras de ensino e pesquisa aparecem no levantamento. A Universidade de São Paulo (USP) lidera no país, com 282 pesquisadores, seguida por Unicamp, Unesp, UFMG, UFRJ e UFRGS.
Entre os pesquisadores brasileiros destacados no estudo está Deborah Malta, vinculada à UFMG. A lista também inclui nomes como Carlos Augusto Monteiro, Constantino Tsallis, Jayme Garcia Arnal Barbedo, Cesar Gomes Victor e José Marengo.
Desde 2024, o levantamento considera dados de artigos retratados, com exceções para falhas atribuídas à própria editora ou revista, como forma de identificar possíveis alertas relacionados à integridade científica.
Em declaração ao jornal Folha de S.Paulo, John Ioannidis afirmou que países como China e Índia avançam mais rapidamente que o Brasil, mas também apresentam autores envolvidos em problemas éticos de publicação.
Para o físico Olival Freire Jr., presidente do CNPq, a presença brasileira no ranking reflete a normalização das pesquisas após a pandemia e a retomada dos investimentos, com três editais universais lançados desde 2023. Ele ressalta que índices bibliométricos devem ser avaliados em conjunto com outros indicadores, como a formação de pesquisadores e a aplicação do conhecimento em políticas públicas.
Segundo Ioannidis, a estagnação dos investimentos em pesquisa e inovação em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) pode ter limitado o avanço brasileiro. O percentual passou de 1,28% em 2015 para 1,19% em 2026, conforme os dados citados no levantamento.