Em visita à fábrica da cervejaria a experimentação do sabor da cerveja artesanal mineira
Por Camila de Ávila, jornalista do Sou BH
Há 20 anos, Herwig Gangl, chegou ao Brasil vindo da Áustria trazendo consigo a tradição da bebida feita de cevada, malte e lúpulo, a cerveja. Gangl criou a Krug Bier em 1997, primeira microcervejaria de Minas
Gerais, responsável pelos rótulos Áustria Export, Larger, Hefe Weizen, Golden
Ale, Dunkel, Imperium e Tianastácia. O Sou BH levou, na manhã de sábado (10),
alguns usuários para uma visita à fábrica da Krug e uma manhã de degustação.
O passeio começa com o filho de Herwig Gangl, Matias Gangl,
mostrando o início do processo da produção da cerveja. “A fábrica é aqui em Nova
Lima porque a água daqui é mais pura e, por isso, boa para produção da cerveja”,
disse durante o passeio pelo local. Outra observação importante é que o barril
em que a bebida é coloca em um dos momentos do processo de fermentação da cerveja
deve ser de inox por dentro e de cobre pelo lado de fora. Segundo Matias, na
produção do whisky, o barril deve ser de cobre por dentro e por fora. “Para a
cerveja, o cobre na parte de dentro e prejudicial”.
A fotógrafa Amanda Almeida é fã de cerveja artesanal. “A cerveja
tradicional perdeu a graça porque tem um gosto mais aguado, a artesanal é mais encorpada,
você fica atento para tentar sentir o gosto dos ingredientes usados na bebida”,
explica. Sua irmã, a bancaria Cassilene
Almeida, endossa a explicação de Amanda. “A cerveja artesanal não é para ser
tomada e sim saboreada”, analisa.
O comprador Douglas Fabris é um apaixonado por cerveja. “Depois
que se faz uma visita numa fábrica como essa o sabor da bebida muda, parece que
você reconhece os gostos dos ingredientes da cerveja”, afirma. Quanto ao valor
da bebida artesanal, geralmente mais cara que a cerveja tradicional
industrializada, Douglas diz que “mesmo sendo um pouco mais cara é muito
melhor. É uma cerveja muito mais concentrada e você toma para apreciar e não
para chapar”, analisa.
A Krug Bier, segundo Herwig Gangl, tem a preocupação de
incrementar a bebida com sabores diferentes. Foi lançada em dezembro de 2014 a
Summer, para o verão de 2015, que tem em sua receita lúpulo australiano e um
sabor cítrico, mais refrescante. Também produziram a bebida diferenciada para a
empresa de mineração Mannesmann, outra para a cervejaria Imperador Rei da
Cerveja, e para a Oktoberfest, além da bebida produzida com o nome da banda
mineira Tianastácia. “Sentamos com cliente e descobrimos que tipo de cerveja
será melhor. A da Mannesmann, por exemplo, pensamos em incorporar o sabor da
bebida de Dusseldorf, na Alemanha, onde alguns diretores da empresa passaram
uma temporada”, explica Herwig.
Para o fundador da Krug Bier o brasileiro sabe beber cerveja.
“O brasileiro tem muita curiosidade para a comida e a bebida. Muito mais que o
europeu que mantém um consumo fiel a um rótulo. Aqui vocês experimentam e a cerveja
é apreciada e não tratada como alimento, como é na Europa”, explica. A
curiosidade e abertura dos brasileiros fazem com que a demanda de experimentação
de ingredientes na bebida seja grande. “A cerveja artesanal é muito apreciada
pelo público, em especial pelo público jovem e a tendência e aumentar”, conta.
O empresário afirma que em breve a Krug apresentará uma cerveja com
ingredientes inusitados. “Ainda não posso contar qual é”, diz fazendo mistério.
Minas e BH como polo da cerveja artesanal
Na visita à Krug Bier estava o casal Lucas Rodrigues,
empresário mineiro, e Caroline Picoli, mestranda em educação física,
paranaense. “Ela está de férias aqui e
pensei em fazer um passeio diferente. Resolvi trazê-la para conhecer uma
cervejaria artesanal”, conta Lucas empolgado.
Caroline gostou tanto do passeio que não saia dos apps de comunicação do
celular contando para os amigos. “Achei interessante conhecer o processo e vou
levar para os meus amigos em Maringá”, afirmou. A mestranda ressaltou a variedade de cervejas
que há em BH. “Lá não se consegue tomar uma cerveja diferente, passeando pelos
bares daqui vi grande variedade de rótulos de cerveja”, diz. Lucas afirma que
percebe, por meio de muitas viagens que faz, em especial a São Paulo, devido a
sua profissão, que aqui é o polo da cerveja. “Lá em São Paulo se acha de tudo,
menos uma grande variedade de cerveja. Você quer comer comida norueguesa de
madrugada, lá em São Paulo é possível. Mas a bebida, são no máximo dois rótulos”,
analisa.