Caminhe pelas ruas históricas de Santa Tereza e do Centro de Belo Horizonte para reviver os passos de Milton Nascimento, Lô Borges e o movimento que revolucionou a MPB
A esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em Santa Tereza, ponto simbólico do movimento Clube da Esquina.
Caminhar por Santa Tereza, em Belo Horizonte, é como folhear um álbum de memórias da música brasileira. O bairro boêmio, berço do Clube da Esquina, convida moradores e turistas a um roteiro afetivo pelos locais onde Milton Nascimento, Lô Borges e uma genial geração de artistas transformaram amizade em poesia e revolução musical nas décadas de 1960 e 1970.
O passeio começa em um dos cruzamentos mais simbólicos de Belo Horizonte: a esquina das ruas Divinópolis com Paraisópolis, em Santa Tereza. Embora o local tenha se tornado o principal símbolo do movimento, uma curiosidade histórica ainda confunde muitos fãs: a icônica fotografia da capa do álbum duplo Clube da Esquina — com os meninos Cacau e Tonho — não foi registrada ali, mas em uma estrada de terra em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Ainda assim, a esquina ficou marcada como ponto de convivência dos músicos e símbolo afetivo do movimento que transformou a música brasileira.
A poucos metros dali, na Rua Divinópolis, fica a antiga casa da família Borges, considerada um dos principais pontos de encontro do grupo. O imóvel se tornou um espaço de convivência criativa entre músicos e amigos que ajudariam a transformar a música brasileira nas décadas seguintes.
Segundo relatos ligados ao movimento, a expressão “Clube da Esquina” ganhou força a partir das brincadeiras de Márcio Borges sobre os jovens que passavam horas reunidos nas esquinas do bairro tocando violão e conversando sobre música.
Antes da fase em Santa Tereza, porém, os primeiros encontros entre Milton Nascimento e os irmãos Borges aconteceram no Edifício Levy, na Avenida Amazonas, no Centro de Belo Horizonte. O prédio é lembrado como um dos marcos iniciais da amizade que daria origem ao movimento musical.
Hoje, quem deseja reviver parte dessa atmosfera pode visitar o Bar do Museu Clube da Esquina, na Rua Paraisópolis. O espaço reúne memória, música e gastronomia em homenagem ao legado deixado pelo grupo.
Para quem deseja fazer o percurso principal, a caminhada pelo bairro é curta e pode ser feita tranquilamente em uma tarde. O ideal é explorar as ruas sem pressa, observando a arquitetura tradicional e absorvendo a atmosfera única do lugar. Santa Tereza também reúne bares e restaurantes que ajudam a completar a experiência.
A esquina icônica: no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, o ponto mais simbólico do roteiro. É o lugar ideal para fotos e para começar a imersão na história do Clube da Esquina.
Antiga casa da família Borges: localizada na Rua Divinópolis. Apesar de ser uma residência particular, passar em frente ao imóvel ajuda a entender onde parte dos encontros do grupo acontecia e onde o movimento ganhou força.
Bar do Museu Clube da Esquina: na Rua Paraisópolis, 738. O espaço cultural reúne acervo histórico, gastronomia e programação musical ligada ao movimento.
Edifício Levy (ponto histórico no Centro): na Avenida Amazonas, 718. Fora do circuito a pé de Santa Tereza, o prédio é lembrado como o local onde Milton Nascimento conheceu os irmãos Borges, no início dos anos 1960.
Visitar Santa Tereza é uma forma de conhecer de perto os lugares que ajudaram a construir a história do Clube da Esquina. Entre ruas tranquilas, bares tradicionais e memórias espalhadas pelo bairro, o passeio revela como Belo Horizonte se tornou cenário de um dos movimentos mais importantes da música brasileira.