Cinco episódios que mostram como diferentes bairros ajudaram a definir o jeito belo-horizontino de viver
Do Clube da Esquina ao carnaval na Afonso Pena, bairros tradicionais revelam como a capital construiu sua identidade
Da música que atravessou fronteiras ao copo que virou marca local, alguns bairros da capital mineira concentram episódios que explicam como a capital construiu sua identidade. Veja a seguir 5 curiosidades sobre bairros tradicionais de BH:
No fim dos anos 1960, jovens músicos transformaram apartamentos e calçadas da região Leste em ponto de criação. Entre eles estava Milton Nascimento, que se aproximou de parceiros como Lô Borges e Toninho Horta.
Das conversas e ensaios nasceu o disco Clube da Esquina, lançado em 1972. O trabalho colocou o grupo no centro do debate musical da época e fez de Santa Tereza um endereço ligado à história da MPB. Até hoje, o bairro é parada obrigatória para quem quer entender como BH entrou no mapa da música brasileira.
Antes de virar referência de bares e lojas, a Savassi era conhecida por uma padaria que reunia estudantes e moradores em longas conversas. O ponto virou hábito, o hábito virou tradição — e o nome do comércio passou a identificar toda a região Mesmo com a mudança no perfil do comércio ao longo dos anos, a Savassi segue como área de circulação intensa.
O carnaval belo-horizontino começou a se organizar na região da Lagoinha. Em 1947 surgiu o Leão da Lagoinha, um dos primeiros blocos da cidade. Décadas depois, a festa mudou de escala. A Banda Mole passou a desfilar na Avenida Afonso Pena e ajudou a transformar o Centro em palco da folia.
Em BH, o tradicional copo americano atende por outro nome: copo lagoinha. A expressão nasceu nos bares do bairro e se espalhou pela cidade. Hoje, pedir um “lagoinha” é quase um código local. O copo está no café do balcão e na cerveja do fim do expediente, reforçando a ligação entre a cidade e sua cultura de boteco.
O bairro Funcionários surgiu ainda no processo de construção da capital, no fim do século 19. A área foi planejada para abrigar servidores públicos estaduais próximos à sede do governo. O nome permaneceu e ajuda a lembrar a origem da região. Com o passar do tempo, o bairro ganhou novos moradores e funções, mas segue marcado pelo desenho urbano que acompanhou o nascimento de Belo Horizonte.