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Efeitos do café: 7 ações da bebida que vão além da cafeína

Do intestino à interação com remédios e colesterol: descubra como a bebida, mesmo descafeinada, pode ter ações surpreendentes no seu organismo


Créditos da imagem: Freepik
efeitos do café no organismo Entenda como a ingestão de café pode influenciar diferentes sistemas do corpo humano

Ana Clara Parreiras

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29/09/26 às 11:24 - Atualizado em 29/09/26 às 11:31
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Os efeitos do café vão muito além da cafeína e da sensação de alerta. A bebida contém centenas de compostos bioativos que podem interagir com diferentes partes do organismo. Algumas dessas ações também aparecem no café descafeinado, o que indica que outros componentes da bebida estão envolvidos.



Entre os possíveis efeitos estão alterações no funcionamento do intestino, na absorção de alguns nutrientes e medicamentos e na composição da microbiota. As respostas, porém, podem variar de acordo com a quantidade consumida e as características de cada pessoa. Confira sete ações menos conhecidas do café:

1. Pode estimular o intestino

Uma parcela das pessoas sente vontade de evacuar pouco depois de beber café. Estudos indicam que o efeito pode ocorrer tanto com a versão tradicional quanto com a descafeinada, sugerindo que a cafeína não é a única responsável.

O intestino grosso também tende a apresentar maior atividade pela manhã, período em que muitas pessoas tomam a primeira xícara. Leite, lactose e alguns adoçantes também podem interferir no funcionamento intestinal, principalmente quando consumidos em grandes quantidades.

2. Pode afetar refluxo, olhos e enxaqueca

Os efeitos do café também podem aparecer em algumas condições específicas. Em determinadas pessoas, a bebida pode agravar sintomas de refluxo. A manifestação nem sempre ocorre como azia e também pode incluir tosse ou outros sintomas.

A cafeína pode aumentar temporariamente a pressão dentro dos olhos, especialmente em pessoas com glaucoma ou hipertensão ocular. Por isso, a quantidade consumida pode precisar de atenção nesses casos.

A relação entre café e enxaqueca é mais complexa. A cafeína pode fazer parte de estratégias para aliviar algumas crises, mas o consumo excessivo ou a interrupção abrupta também podem desencadear dor de cabeça em algumas pessoas.

3. Pode interferir em medicamentos

O café pode alterar a absorção ou o metabolismo de determinados medicamentos. A bebida, por exemplo, pode reduzir a absorção da levotiroxina e do alendronato quando consumida próxima ao horário desses remédios.

A cafeína também pode permanecer mais tempo no organismo quando há interação com determinados medicamentos. Um exemplo é a ciprofloxacina, que pode reduzir a velocidade de metabolização da cafeína.

Por isso, pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos devem verificar com médico ou farmacêutico se existe alguma orientação específica sobre o consumo de café.



4. Pode influenciar o colesterol

O café contém compostos chamados diterpenos, entre eles cafestol e kahweol. Dependendo do método de preparo, esses componentes podem aumentar o colesterol total e o LDL.

Ao mesmo tempo, outros componentes da bebida, como os ácidos clorogênicos, são estudados por possíveis efeitos sobre a pressão arterial e a função dos vasos sanguíneos.

O impacto do café sobre a saúde cardiovascular depende de fatores como quantidade, tipo de preparo e características individuais. Por isso, os efeitos não podem ser resumidos a uma relação simplesmente positiva ou negativa.

5. Pode modificar a microbiota intestinal

Parte dos compostos presentes no café não é absorvida no intestino delgado e chega ao cólon. Entre eles estão os ácidos clorogênicos, além de carboidratos complexos e melanoidinas formadas durante a torra.

No intestino, esses componentes podem ser utilizados ou transformados pelas bactérias. Estudos em humanos também indicam que o consumo de café pode alterar a composição da microbiota intestinal.

Apesar dos resultados, ainda não há evidências suficientes para classificar o café como um prebiótico de forma geral.

6. Pode reduzir a absorção de ferro

Tomar café junto das refeições pode diminuir a absorção do ferro não heme, encontrado principalmente em alimentos de origem vegetal.

Os polifenóis presentes na bebida, incluindo os ácidos clorogênicos, podem se ligar ao mineral durante a digestão e dificultar sua absorção.

O efeito merece mais atenção entre pessoas que apresentam baixos níveis de ferro ou que obtêm a maior parte desse mineral por meio de alimentos vegetais.

7. Pode estimular o sistema digestivo

O café também pode estimular mecanismos do sistema digestivo mesmo quando consumido sem comida. Estudos indicam que a bebida pode influenciar a liberação de substâncias envolvidas na digestão, inclusive enzimas produzidas pelo pâncreas.

Esse efeito também foi observado com café descafeinado, indicando novamente que a cafeína não é a única substância envolvida.

A bebida ainda pode interferir em hormônios relacionados ao apetite. No entanto, os estudos disponíveis não mostram de forma consistente se isso resulta em maior ou menor consumo de alimentos.