Do intestino à interação com remédios e colesterol: descubra como a bebida, mesmo descafeinada, pode ter ações surpreendentes no seu organismo
Entenda como a ingestão de café pode influenciar diferentes sistemas do corpo humano
Os efeitos do café vão muito além da cafeína e da sensação de alerta. A bebida contém centenas de compostos bioativos que podem interagir com diferentes partes do organismo. Algumas dessas ações também aparecem no café descafeinado, o que indica que outros componentes da bebida estão envolvidos.
Entre os possíveis efeitos estão alterações no funcionamento do intestino, na absorção de alguns nutrientes e medicamentos e na composição da microbiota. As respostas, porém, podem variar de acordo com a quantidade consumida e as características de cada pessoa. Confira sete ações menos conhecidas do café:
Uma parcela das pessoas sente vontade de evacuar pouco depois de beber café. Estudos indicam que o efeito pode ocorrer tanto com a versão tradicional quanto com a descafeinada, sugerindo que a cafeína não é a única responsável.
O intestino grosso também tende a apresentar maior atividade pela manhã, período em que muitas pessoas tomam a primeira xícara. Leite, lactose e alguns adoçantes também podem interferir no funcionamento intestinal, principalmente quando consumidos em grandes quantidades.
Os efeitos do café também podem aparecer em algumas condições específicas. Em determinadas pessoas, a bebida pode agravar sintomas de refluxo. A manifestação nem sempre ocorre como azia e também pode incluir tosse ou outros sintomas.
A cafeína pode aumentar temporariamente a pressão dentro dos olhos, especialmente em pessoas com glaucoma ou hipertensão ocular. Por isso, a quantidade consumida pode precisar de atenção nesses casos.
A relação entre café e enxaqueca é mais complexa. A cafeína pode fazer parte de estratégias para aliviar algumas crises, mas o consumo excessivo ou a interrupção abrupta também podem desencadear dor de cabeça em algumas pessoas.
O café pode alterar a absorção ou o metabolismo de determinados medicamentos. A bebida, por exemplo, pode reduzir a absorção da levotiroxina e do alendronato quando consumida próxima ao horário desses remédios.
A cafeína também pode permanecer mais tempo no organismo quando há interação com determinados medicamentos. Um exemplo é a ciprofloxacina, que pode reduzir a velocidade de metabolização da cafeína.
Por isso, pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos devem verificar com médico ou farmacêutico se existe alguma orientação específica sobre o consumo de café.
O café contém compostos chamados diterpenos, entre eles cafestol e kahweol. Dependendo do método de preparo, esses componentes podem aumentar o colesterol total e o LDL.
Ao mesmo tempo, outros componentes da bebida, como os ácidos clorogênicos, são estudados por possíveis efeitos sobre a pressão arterial e a função dos vasos sanguíneos.
O impacto do café sobre a saúde cardiovascular depende de fatores como quantidade, tipo de preparo e características individuais. Por isso, os efeitos não podem ser resumidos a uma relação simplesmente positiva ou negativa.
Parte dos compostos presentes no café não é absorvida no intestino delgado e chega ao cólon. Entre eles estão os ácidos clorogênicos, além de carboidratos complexos e melanoidinas formadas durante a torra.
No intestino, esses componentes podem ser utilizados ou transformados pelas bactérias. Estudos em humanos também indicam que o consumo de café pode alterar a composição da microbiota intestinal.
Apesar dos resultados, ainda não há evidências suficientes para classificar o café como um prebiótico de forma geral.
Tomar café junto das refeições pode diminuir a absorção do ferro não heme, encontrado principalmente em alimentos de origem vegetal.
Os polifenóis presentes na bebida, incluindo os ácidos clorogênicos, podem se ligar ao mineral durante a digestão e dificultar sua absorção.
O efeito merece mais atenção entre pessoas que apresentam baixos níveis de ferro ou que obtêm a maior parte desse mineral por meio de alimentos vegetais.
O café também pode estimular mecanismos do sistema digestivo mesmo quando consumido sem comida. Estudos indicam que a bebida pode influenciar a liberação de substâncias envolvidas na digestão, inclusive enzimas produzidas pelo pâncreas.
Esse efeito também foi observado com café descafeinado, indicando novamente que a cafeína não é a única substância envolvida.
A bebida ainda pode interferir em hormônios relacionados ao apetite. No entanto, os estudos disponíveis não mostram de forma consistente se isso resulta em maior ou menor consumo de alimentos.