Casa Calixto une alta gastronomia autoral, cozinha contemporânea e ambiente sofisticado em casarão tombado na Savassi
Instalada em um casarão tombado pelo patrimônio histórico, a Casa Calixto aposta em diferentes ambientes que unem sofisticação, conforto e experiência gastronômica
Entrar na Casa Calixto é atravessar uma das portas mais elegantes da gastronomia belo-horizontina atual. Instalado em um casarão tombado pelo patrimônio histórico na Savassi, o restaurante combina arquitetura preservada, atmosfera sofisticada e uma cozinha contemporânea que transforma ingredientes, técnicas e memória afetiva em experiência.
Mais do que um restaurante de alta gastronomia, a Casa Calixto propõe uma experiência em que ambiente, serviço e cozinha caminham juntos. A iluminação intimista, os detalhes do casarão e o ritmo desacelerado da experiência à mesa ajudam a transformar o jantar em algo que vai além da refeição.
Antes mesmo dos pratos chegarem à mesa, o espaço já chama atenção. O casarão preserva diferentes ambientes que ajudam a construir a personalidade da casa e fazem da arquitetura parte fundamental da experiência. Há um bar mais intimista, pensado para encontros sem pressa e drinques no início da noite; um salão a céu aberto onde o público acompanha o movimento da cozinha e o trabalho dos chefs diante do braseiro; espaços mais aconchegantes que convidam à permanência; e um ambiente marcado pela parede de plantas, frequentemente escolhido para comemorações e encontros especiais.
Essa multiplicidade de cenários faz com que a Casa Calixto funcione quase como diferentes experiências dentro do mesmo endereço, todas conectadas pela mesma proposta de sofisticação acolhedora.
O cuidado aparece também no atendimento. Entre os destaques da casa está Rafael Lima, que conduz o serviço com atenção aos detalhes, domínio do cardápio e uma hospitalidade que aproxima o cliente da experiência construída pelo restaurante. Em uma proposta que valoriza permanência, conversa e tempo à mesa, o atendimento deixa de ser apenas operacional e passa a integrar a memória do jantar.
A proposta da Casa Calixto se apoia na cozinha autoral, conceito em que o chef imprime identidade própria aos pratos, valorizando criatividade, técnica e construção cuidadosa de sabores. O cardápio mistura referências francesas, italianas e asiáticas sem perder a conexão com ingredientes brasileiros e com a culinária mineira contemporânea. Frutos do mar, carnes especiais, preparos vegetarianos e receitas executadas no braseiro convivem em um menu que aposta em técnica, equilíbrio e personalidade.
No centro da cozinha está o forno à carvão braseiro, equipamento que se tornou uma das marcas do restaurante. É dele que saem preparos marcados por leve defumação, textura precisa e intensidade equilibrada.
A experiência começa pelas entradas. A Burrata da Casa chega acompanhada de focaccia artesanal e molho romesco, combinando cremosidade, acidez e notas defumadas em um prato pensado para compartilhar.
Já o Camarão Enrolado aposta em uma construção mais contemporânea: camarão rosa envolto em massa filo crocante, servido com molho agridoce de manga e especiarias. O contraste entre crocância, frescor e dulçor cria uma combinação delicada, mas cheia de personalidade.
Entre os principais, o No Buffalo reforça o olhar autoral da cozinha. A massa artesanal recheada com muçarela de búfala é servida com molho pomodoro, pesto de manjericão e queijo grana padano, equilibrando frescor, conforto e execução refinada.
O cardápio também abre espaço para pratos vegetarianos construídos com o mesmo cuidado técnico dedicado às carnes e frutos do mar. Entre eles, o Vegano na Brasa chama atenção pela combinação de sabores defumados e frescor: salsicha vegana de cogumelos, broa levada ao braseiro, tomate assado, mix de folhas, maionese de abacate e vinagrete de pimentões criam um prato equilibrado, em que textura e intensidade aparecem de forma delicada.
Essa diversidade ajuda a reforçar uma das características da Casa Calixto: a capacidade de transitar entre diferentes propostas gastronômicas sem perder identidade. O restaurante se destaca tanto pelos preparos com frutos do mar quanto pelas carnes de cortes especiais e pratos mais sofisticados, como o confit de pato, além de opções vegetarianas que não aparecem no cardápio apenas como complemento, mas como construções completas dentro da experiência da casa.
A cozinha da Casa Calixto é comandada pelo chef mineiro João Paulo Oliveira, natural de Timóteo, no Vale do Aço. A relação com a gastronomia começou ainda na infância, observando a mãe cozinhar, referência afetiva que aparece até hoje em muitos dos sabores que constrói.
Aos 19 anos, João Paulo se mudou para a Inglaterra, onde trabalhou em oito restaurantes diferentes. A experiência internacional ampliou seu repertório técnico e consolidou o interesse pela gastronomia profissional. De volta ao Brasil, passou por cozinhas importantes de Belo Horizonte, como o Glouton, do chef Léo Paixão, onde atuou como subchefe durante quatro anos.
Também integrou equipes de restaurantes e buffets conhecidos da capital, como Club do Chef, Ninita e Macaréu. Na Casa Calixto, encontrou espaço para desenvolver uma cozinha mais livre, marcada por referências contemporâneas, técnicas internacionais e memória mineira.
Essa proposta aparece até nas sobremesas. O Queimado no Brasil, releitura do clássico crème brûlée francês, incorpora milho verde à receita e aproxima técnica europeia de sabores afetivos brasileiros. A camada caramelizada contrasta com a suavidade do creme e transforma a sobremesa em um dos pratos que melhor traduzem a identidade da casa.
A Casa Calixto surge em um momento em que Belo Horizonte fortalece sua relação com experiências gastronômicas mais completas, em que arquitetura, atmosfera e cozinha possuem o mesmo peso na construção do restaurante.
No fim, a experiência da casa não se sustenta apenas pela sofisticação dos pratos ou pela imponência do casarão tombado. O restaurante funciona porque entende algo essencial sobre a cidade: em Belo Horizonte, comida também é permanência, encontro e memória.